Por que a economia colonial e imperial
baseou-se no trabalho escravo?
O latifúndio monocultor no Brasil
exigia uma mão-de-obra permanente.
Era inviável a utilização de portugueses
assalariados, já que a intenção não
era vir para trabalhar, e sim para se enriquecer no Brasil.
O sistema capitalista nascente não tinha como pagar
salários para milhares de trabalhadores, além
do que, a população portuguesa que não
chegava aos 3 milhões, era considerada reduzida para
oferecer assalariados em grande quantidade.
Quem foi utilizado como escravo nos
períodos colonial e imperial?
Embora o índio tenha sido um elemento
importante para formação da colônia, o
negro logo o suplantou, sendo sua mão-de-obra considerada
a principal base, sobre a qual se desenvolveu a sociedade
colonial brasileira.
Na fase inicial da lavoura canavieira ainda predominava o
trabalho escravo indígena. Parece-nos então
que argumentos tão amplamente utilizados, como inaptidão
do índio brasileiro ao trabalho agrícola e sua
indolência caem por terra.
A História verdadeira mostra que a reação
do nativo foi tão marcante, que tornou-se uma ameaça
perigosa para certas capitanias como Espírito Santo
e Maranhão. Além da luta armada, os indígenas
reagiram de outras maneiras, ocorrendo fugas, alcoolismo e
homicídios como forma de reação à
violência estabelecida pelo escravismo colonial. Todas
essas formas de reação dificultavam a organização
da economia colonial, podendo assim, comprometer os interesses
mercantilistas da metrópole, voltados para acumulação
de capital. Destaca-se também, a posição
dos jesuítas,
que voltados para catequese do índio, opunham-se à
sua escravidão.
Apesar de todos esses obstáculos, o indígena
é amplamente escravizado, permanecendo como mão-de-obra
básica na economia extrativista do Norte do Brasil,
mesmo após o término do período
colonial.
Por que então que o índio
cede lugar para o negro como escravo no Brasil?
A maior utilização do negro
como mão-de-obra escrava básica na economia
colonial, deve-se principalmente ao tráfico negreiro,
atividade altamente rentável, tornando-se uma das principais
fontes de acumulação de capitais para metrópole.
Exatamente o contrário ocorria com a escravidão
indígena, já que os lucros com o comércio
dos nativos não chegava até a metrópole.
Torna-se claro assim, o ponto de vista defendido pelo historiador
Fernando Novais, de que "o tráfico explica a escravidão",
e não o contrário.
Para os portugueses, o tráfico negreiro não
era novidade, pois desde meados do século XV , o comércio
de escravos era regular em Portugal, sendo que durante o reinado
de D. João II o tráfico negreiro foi institucionalizado
com a ação direta do Estado português,
que cobrava taxas e limitava a participação
de particulares.
Quanto à procedência étnica do negro,
destacaram-se dois grupos importantes: os bantos, capturados
na África equatorial e tropical
provenientes do Congo, Guiné e Angola, e os sudaneses,
vindos da África ocidental, Sudão e norte da
Guiné.
Interessante observarmos que entre os elementos deste segundo
grupo, destacavam-se muitos negros islamizados, responsáveis
posteriormente.