A
floresta amazônica, patrimônio de toda a humanidade,
cobre, em território brasileiro, cerca de 260 milhões
de hectares, dos quais, aproximadamente, 7 milhões
de hectares formam a floresta de várzea, e 253
milhões, a grande floresta de terra firme.
Essas coberturas vegetais fazem parte da bacia hidrográfica
do rio Amazonas, de superfície bem maior, onde
existem outras formas vegetais de menor importância,
que representam praticamente 2/3 (dois terços)
do território nacional, constituindo-se, em seu
todo, um ecossistema extremamente diversificado, integrado,
e sobretudo frágil.
Desde o século passado, até o presente,
a Amazônia tem sido alvo de tentativas nacionais
e internacionais de ocupação de seu espaço.
Na segunda metade do século passado, o governo
norte-americano, consoante o livro "A amazônia
para os negros americanos", da escritora Nícia
Vilela Luz (USP), arrimado em pesquisas na biblioteca
de Washington e nos arquivos do Congresso Americano, havia
sido elaborado um plano de ocupação do ecossistema
para abrigar contingentes de negros daquele país,
como objetivo de evitar as condições sócio-econômicas
que levaram à eclosão da guerra de secessão.
Em 1946, foi proposta a criação do Instituto
da Hiléia Amazônica, que pretendia a internacionalização
do território (o que estão a tentar novamente,
na atualidade), com entrega de várias áreas
à administração e exploração
de seus recursos por parte de potências estrangeiras,
através de contratos de prazo indeterminado.
Em "A Amazônia e a cobiça internacional",
livro do ex-governador amazonense, Arthur César
Ferreira Reis, há a proposta do envio de mais de
200.000 (duzentos mil) árabes, do Oriente Médio,
para esse estado do norte. O Instituto Hudson propôs
a construção de um sistema de barragens
destinado a formar o grande lago amazônico, alagando
240 mil quilômetros quadrados da região,
o que faria desaparecer mais de 20 municípios do
Pará e Amazonas, chegando a inundar grande parte
da capital, Manaus.
Todas as propostas foram bloqueadas pela opinião
pública brasileira, mas atualmente não é
tão simples clamar contra todas as formas agressivas,
especialmente quando se trata de questão ecológica!
Cremos que será necessário pedir ajuda internacional
para conter a tentativa de ocupação amazônica.
G R A V Í S S I M O
A demanda por madeiras é crescente, tanto para
o mercado interno, em razão do gradativo desaparecimento
das florestas do sul (araucária), completamente
devastado, como para o externo, face à tendência
da queda de produção nos países asiáticos.
Chega-se, assim, à previsão sombria da formidável
pressão sobre o ecossistema, direcionada para os
seus produtos de origem vegetal e também sobre
seu solo.
Além da exploração madeireira, existem
outros projetos em andamento, disfarçados de utilização
racional sob a denominação de "política
desenvolvimentista da Amazônia", compreendendo:
a) projetos agropecuários, que recebem a maior
concentração de esforços governamentais,
destacando-se, desde logo, a abertura de clareiras necessárias
a essa implementação, devidamente registradas
por satélites: b) exploração de recursos
minerais, com a finalidade de gerar insumos para suprir
as indústrias do centro-sul do Brasil e, consequentemente,
exportação a preços incrivelmente
aviltados; c) exploração energética,
por meio de contínua instalação de
hidroelétricas como Tucuruí, Balbina, a
fim de gerar energia a preços baixos, tanto para
Carajás como para "atrair"novos focos
de industrialização.
Compreende-se, pois, que a Amazônia sofra, constantemente,
assaltos sem precedentes, podendo, obviamente, gerar consequências
catastróficas para toda a humanidade.
Um balanço feito quanto à evolução
das atividades madeireiras, na região, de 1960
a 1970, mostrou que ali estavam a trabalhar, com projetos
aprovados pela Sudan, 5 serrarias, produzindo 41.000 m3
(quarenta e um mil metros cúbicos) de serrados,
e 94.000 m3 de compensados, consumindo 328.330 m3 de toras.
Em 1976, 10 anos depois, portanto, apenas por 70 empresas
que receberam incentivos fiscais, foram consumidos aproximadamente
QUATRO MILHÕES de metros cúbicos de toras,
ou seja, houve acréscimo superior a MIL POR CENTO,
sem computar as serrarias clandestinas, cujo número
já atinge quase 10.000!
A atividade agropecuária, recebedora do maior número
de recursos e incentivos, por parte do governo brasileiro,
é a mais predatória tentativa colonizadora:
derrubam-se árvores seculares para formar pastagens
que, em breve, acelera o surgimento de desertos, devido
à intensa lixiviação do solo, pois
este perde, sob a incidência das chuvas, sua camada
fértil.
Os métodos empregados na abertura das clareiras,
onde formar as pastagens, são os mais pecaminosos
possíveis,com utilização de desfolhantes
tipo "agente laranja", motosserras, bulldozers
equipados com correntões, a derrubada, em minutos,
do que a natureza levou séculos para criar; além
desse procedimento, outro, pior e mais comprometedor,
desrespeitando flora e fauna, é também via
comum, as queimadas, de tal proporção, constantemente
flagradas por satélites.
C O N S E Q U Ê N C I A S
O desmatamento indiscriminado, criminoso, já ocasiona
a marginalização dos povos nativos, expulsos
pelos grandes latifúndios em direção
às favelas expandidas nos subúrbios de Belém,
Manaus e outras cidades da região, o que leva,
de maneira fatal, ao genocídio dos indígenas!
No plano nacional, o país começa a sofrer
as consequências dessa devastação
impiedosa que propicia, sobretudo, violentos fenômenos
climáticos.
Entretanto, o que está em jogo não é
apenas o equilíbrio ecológico do Brasil,
ou de parte da América
do Sul; segundo cientistas como o Prof. Harald Sioli,
do Instituto Max Planck, de Berlim, a destruição
do ecossistema amazônico provocará aumento
de até 20% de gás carbônico na atmosfera
do planeta, podendo ocorrer o degelo de parte das calotas
polares, elevando, substancialmente, o nível atual
das marés em todos os oceanos. O resultado será,
então, dantesco, ocasionando a destruição
de considerável número de cidades litorâneas,
cataclismo que ameaça o futuro da humanidade.
O ecossistema amazônico é o menos conhecido
do planeta, verdadeiro laboratório para o melhor
entendimento da vida em nosso Globo, na realidade um ecossistema
frágil e sujeito a mais rápida destruição.
Sem a cobertura da mata, o solo está fadado ao
empobrecimento veloz, como pode-se comprovar através
da observação das pastagens ali desenvolvidas,
pois, após o desmatamento, estas se mostram em
decadência, impossíveis de se manter, senão
através do emprego de técnicas de manejo
sofisticadas, que tornam o empreendimento anti-econômico,
como ocorreu com o projeto JARI.
Para se ter idéia da deterioração
ambiente, em florestas úmidas semelhantes, na África,
apurou-se que, numa só região, com e sem
mata, sob idêntica quantidade de chuva, o escorrimento
superficial na área florestada era de 0,6 m3 por
segundo, em m2 e, em área desflorestada, de 27
m3 por segundo, em metros quadrados. Isto comprova haver
grande absorção de água, no primeiro
caso e , no segundo, enorme perda de água, favorecendo
o prejuízo da camada fértil do solo, através
da erosão. Ficou evidenciado, também, que
este proceder carreia para os rios fantástico volume
de terra, assoreando, consequentemente, o sistema fluvial,
além de causar deteriorização das
condições de vida dos ecossistemas aquáticos.
D R A M Á T I C O
Pior de tudo, dramática mesmo é a situação
dos índios. A população indigena
que era de 4 a 5 milhões de nativos, por ocasião
da descoberta do país, em 1500, esteve reduzida
somente a pouco mais de 220.000 seres, em 1990, quando
do levantamento feito pela FUNAI (Fundação
de Amparo aos Índios), mas este número se
refere a toda a população silvícola
brasileira.
Particularmente, no ecossistema amazônico, viviam,
em 1990, aproximadamente 160.000 índios, mas chega-se
a supor que essa população tenha decrescido
em virtude do genocídio que ocorre, continuamente,
na região, sem que alguma providência efetiva
seja tomada para a defesa dos seculares donos da floresta!