Entre 1889 e 1930, período da Primeira
República o país adotou uma constituição
liberal que garantia a liberdade política, econômica
e religiosa do cidadão. O poder permaneceu com os grandes
proprietários com a adesão de antigos monarquistas
ao sistema republicano de governo. Apesar do liberalismo defendido
pelas elites brasileiras, o Estado intervinha protegendo o
setor exportador, principalmente os cafeicultores, quando
o valor das exportações por alguma razão
decrescia. Na República Velha, dois estados tiveram
a liderança política: São Paulo e Minas
Gerais. A população continuava sem amparo e
seu direito à cidadania resume em comparecer as urnas
e votar nos candidatos indicados pelas famílias poderosas.
Nesse período, a indústria brasileira iniciou
seus primeiros passos, sendo contudo considerada por muitos
desnecessária ao país e até perigosa,
ao criar um operariado.
A República Oligárquica.
"O povo assistiu bestializado"
à Proclamação da República, escrevia
o republicano Aristides Lobo. No Rio de Janeiro onde ocorreu
o golpe final contra a Monarquia, sua participação
foi simbólica, acompanhando as tropas que regressavam
aos quartéis. Na primeira fase do novo regime os militares
Deodoro da Fonseca (1889-92) e Floriano Peixoto (1892-94)
enfrentaram um período conturbado, com fechamento do
Congresso Constituinte, Revolta da Armada, Revolta Federalista
no sul do Brasil. Em 1891, a primeira
Constituição republicana, inspirada na Constituição
norte-americana estabelecia o federalismo e o presidencialismo
como princípios norteadores do regime republicano.
A Igreja foi desvinculada do Estado e estabeleceram-se eleições
diretas para os cargos públicos como presidente, governadores,
senadores, deputados estaduais e federais etc.
A República Velha foi dirigida principalmente
pelas oligarquias paulista e mineira ligadas ao setor agro-exportador,
representado pelos cafeicultores paulistas que constituía
o setor mais dinâmico da economia brasileira. Entre
os primeiros compromissos do governo civil republicano estava
garantir a cooperação dos credores estrangeiros,
comprometendo o novo regime a pagar as dívidas contraídas
pela monarquia. O acordo da dívida externa - funding
loan - foi pago com aumento de impostos, paralisação
de obras públicas e abandono da idéia de incentivo
à indústria nacional. Esta política recessiva
e impopular adotada por Campos Sales foi concretizada com
o apoio dos governadores estaduais através de um compromisso
pelo qual esses governadores receberiam recursos, cargos públicos
e ainda a garantia do governo federal não apoiar os
grupos oposicionistas estaduais. Estava inaugurada o pacto
oligárquico conhecido como Política dos Governadores.
A Política do Café-com-Leite
O Presidente Campos Sales buscou em especial
o apoio de Minas Gerais que possuía 37 deputados federais
constituindo-se na maior bancada, devido a sua população.
Em 1899, Silviano Brandão, governador de Minas Gerais,
aceitou o pacto com São Paulo; era a oportunidade para
Minas Gerais ocupar uma situação privilegiada,
tirando vantagens políticas e econômicas para
a elite mineira.
A Política do Café-com-Leite,
como ficou conhecida essa aliança, permitiu a burguesia
cafeeira paulista controlar no âmbito nacional, a política
monetária e cambial, a negociação no
exterior de empréstimos para a compra das sacas de
café excedentes,
enfim, uma política de intervenção que
garantia aos cafeicultores lucros seguros. Para Minas Gerais,
o apoio a São Paulo garantia a nomeação
dos membros da elite mineira para cargos na área federal
e verbas para obras públicas, como a construção
de ferrovias. Os paulistas e os mineiros ocupavam os cargos
de Presidente da República e os ministérios
da Justiça, das Finanças, da Agricultura, Vice
Presidência etc.
Nos Estados as famílias oligúrias
ocupavam os cargos de Governador do Estado, e as Secretárias
das Finanças, da Educação
e Saúde, a Prefeitura da Capital,
a Chefia de Polícia Estadual, a Diretoria da Imprensa
Oficial, a presidência dos Bancos Estaduais e da Assembléia
Legislativa. A Política
dos Governadores consolidou o poder das famílias ricas
dos Estados formando as oligarquias. Em Minas as principais
famílias eram representadas pelos: Cesário Alvim,
Bias Fortes, Bueno Brandão, Afonso Pena, Francisco
Sales, Artur Bernardes entre outras. Para integrar a oligarquia
mineira contavam "os laços de família,
educação e dinheiro" estando aberta aos
indivíduos talentosos que formavam-se principalmente
em Direito nas Universidades do Rio de Janeiro e São
Paulo. De volta ao Estado, ele tornava-se promotor público,
juiz, casava-se com moça da elite da cidade, podia
tornar-se político elegendo-se vereador, prefeito e
deputado.
A oligarquia mineira controlava o poder através do
Partido Republicano Mineiro. A lista dos candidatos era organizada
pela Comissão Executiva do PRM que mandava os nomes
para serem homologados pelo governador do Estado. Para integrar
esta lista o candidato tinha ser da confiança dos chefes
políticos da região, os coronéis, ou
indicados pelo governo devido ao talento e cultura. Não
havia lugar no Partido para os dissidentes que eram expulsos.