O corpo da adolescente Jaqueline Ruas, 15 anos, foi enterrado
às 9h desta segunda-feira no Cemitério das
Lágrimas, em São Caetano. A jovem morreu
na madrugada de domingo após passar mal no voo
de retorno da Disney, nos Estados Unidos, para o Brasil.
A garota ganhou a viagem de presente de aniversário.
A causa da morte foi pneumonia, de acordo com o Instituto
Médico Legal de Guarulhos, mas o órgão
vai investigar se a garota estava com gripe suína.
Na bagagem de Jacqueline havia uma caixa do remédio
Tamiflu, usado no tratamento da doença.
Segundo Luiz Felipe Fortunato, diretor da Tia Augusta
Turismo, empresa responsável pela excursão
da adolescente aos Estados Unidos, Jaqueline passou mal
no dia 30 de julho, quando apresentou sintomas de gripe
e náuseas. Encaminhada ao hospital, a jovem chegou
a fazer o teste para a detecção da gripe
suína, que, no entanto, não revelou sinais
de contaminação pelo vírus Influenza
A (H1N1).
De acordo com a prima da adolescente, Elaine Martins,
50 anos, ela estava saudável quando embarcou para
Orlando, em 19 de julho. "Ela ficou gripada lá.
Se molhou bastante em um brinquedo e pegou friagem. Foi
medicada e melhorou, e foi autorizada a voltar para o
Brasil, mas começou sentir-se mal quando embarcou",
afirmou.
Na volta ao País, o avião em que Jaqueline
estava fez conexão no Panamá. Ela foi socorrida
por um médico no trajeto até o Brasil, entretanto
a equipe médica do aeroporto de Guarulhos atestou
a morte da garota.
No velório, que aconteceu na noite de ontem, no
Cemitério das Lágrimas, amigos e parentes
decidiram manter-se em silêncio. Por meio de nota,
a empresa aérea Copa Airlines destacou que "está
assistindo aos familiares da passageira e trabalhando
em conjunto com as autoridades locais".
Manobras de ressucitação — O cirurgião
Irineu Rasera Júnior, de Piracicaba, interior paulista,
foi um dos médicos que atenderam Jacqueline Ruas
durante o voo da Copa Airlines de Orlando até São
Paulo. "Iniciei de imediato as manobras de ressuscitação.
Ficamos mais de 40 minutos", afirma o médico.
Rasera Júnior conta que foi chamado pelas comissárias
de bordo por volta das 4h30 - uma hora e 15 minutos antes
de o voo pousar em Guarulhos. "Alguém percebeu
que alguma coisa não estava bem. O comissário
acendeu as luzes da cabine e solicitou um médico
para atendimento."
Ao examinar a menina, o cirurgião diz ter percebido
que ela já tinha passado mal havia algum tempo.
"Seguramente mais de meia hora. Acho que ela já
estava (morta), mas como médico não posso
afirmar", completa. "Alguém achou que
ela estava dormindo."