
Mau Hálito ou Halitose é o odor desagradável
e, muitas vezes, repugnante do ar expelido pelos pulmões.
Pode ter diversas causas, e varia com o período
do dia e a idade da pessoa, agravando-se à proporção
que a fome aumenta. É mais facilmente percebido por estranhos
do que pela própria pessoa portadora de halitose.
O mau hálito matinal não é, no entanto,
considerado um problema, pois é fisiológico, presente
em 100% da população. Ele acontece devido a leve
hipoglicemia, a redução fluxo salivar durante
o sono, além do aumento da flora bacteriana anaeróbia
proteolítica. Esses microorganismos atuam sobre a descamação
natural da mucosa bucal e sobre proteínas da própria
saliva, gerando componentes de cheiro desagradável (chamados
de compostos sulfurados voláteis ou CSV).
Esta halitose matinal, no entanto deve desaparecer após
a higiene dos dentes (com fio dental e escova), da língua
e após a primeira refeição da manhã,
caso contrário, pode realmente ser considerada mau hálito.
Causas
A halitose pode ser causada por diversos fatores, bucais e não
bucais, fisiológicos (que requerem apenas orientação)
ou patológicos (que requerem tratamento).
Dentre os fatores bucais, a causa mais comum é a higiene
oral deficiente e conseqüente formação de
saburra lingual e placas dentárias. A higienização
precária da língua (levando à formação
de saburra), reentrâncias retentoras de alimentos, cáries,
substâncias plásticas usadas na confecção
de dentaduras e pontes (por infiltração de líquidos
bucais), são outras causas bucais importantes.
A saburra é um material viscoso e esbranquiçado
ou amarelado, que fica aderida ao dorso da língua, principalmente
no terço posterior. A saburra equivale a uma placa bacteriana
lingual, em que os principais microrganismos presentes são
do tipo anaeróbios proteolíticos, os quais, conforme
foi explicado para a halitose da manhã, produzem componentes
de cheiro desagradável no final do seu metabolismo.
Conseqüências
A simples presença de mau hálito, apesar de não
ter grandes repercussões clínicas para a pessoa,
pode, na maioria das vezes, provocar sérios prejuízos
psicossociais. Os mais comumente relatados são a insegurança
ao se aproximar das pessoas, a depressão secundária
a isso, dificuldade em estabelecer relações amorosas,
esfriamento do relacionamento entre o casal, resistência
ao sorriso, ansiedade, e baixo desempenho profissional, quando
o contato com outras pessoas é necessário.
Diagnóstico
O diagnóstico é facilmente feito, pela história
clínica e constatação do mau cheiro característico.
Inicialmente deve-se tentar eliminar as possibilidades de causas
fisiológicas e halitose secundária a outras doenças.
A investigação inicial inclui o exame detalhado
da boca, da língua e da parte dentária, em busca
de sinais de higienização precária, gengivites
e periodontite, além da saburra lingual.
Hoje já existem, no entanto, métodos complementares
que auxiliam este diagnóstico. Dentre eles está
a sialometria (medida do fluxo salivar) e a halímetria.
Esta última é conseguida através de um
moderno e portátil aparelho que mede, em partículas
por bilhão, a quantidade dos compostos sulfurados voláteis,
presentes na boca. O halurímetro permite uma avaliação
da gravidade do problema, além do acompanhamento da evolução
do tratamento e do diagnóstico de pacientes com halitose
psicogênica.
Como se previne?
A prevenção é a medida mais importante
no caso do mau hálito, e acaba sendo a principal forma
de tratamento. Deve-se ter cuidado com a alimentação
e, principalmente, com a higiene bucal.
No caso de tendência ao mau hálito, deve-se evitar
carne gordurosa, fritura, repolho,
brócolis, couve-flor, alho, cebola.
Deve-se dar preferência ao leite desnatado e ao queijo
branco ou ricota, evitar bebidas alcoólicas,
fumo e medicamentos com cheiro acentuado.
A alimentação
rica em cenoura, maçã
e outros alimentos fibrosos auxilia na promoção
de uma limpeza total na parte dos dentes, na linha das gengivas.
Uma boa freqüência de ingestão de água
e de alimento que contenha algum carboidrato também é
muito importante.
A higiene bucal e lingual deve ser caprichada. Os dentes devem
ser bem escovados, sempre que necessário, principalmente
após cada refeição. A língua deve
ser limpa com raspadores específicos, a cada escovação
de dentes, para a eliminação da saburra. O uso
de fio dental e a realização de bochechos (com
uma pitada de bicarbonato de sódio ou anti-sépticos
bucais) melhoram significativamente este problema.
Também pode ser feita uma estimulação da
produção de saliva de uma maneira fisiológica,
com balas sem açúcar, gomas de mascar, gotas de
suco de limão com um pouco
de sal.
No entanto, consultas periódicas ao dentista são
essenciais, principalmente para uma higienização
mais profissional, única forma de remover a placa bacteriana
ou o acúmulo de tártaro na região inferior
dos dentes.