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Guerras
 

Guerras: é um confronto sujeito a interesses da disputa entre dois ou mais grupos distintos de indivíduos mais ou menos organizados.


O episódio de uma guerra continental na Europa do século XVII, muitas vezes é esquecido na abordagem histórica do Antigo Regime. O que é um equívoco, considerando a importância dessa “primeira” guerra mundial que, para muitos historiadores, está na raiz de vários conflitos da Europa contemporânea, chegando seus reflexos até às grandes guerras do século XX, inspirando sempre os adversários da união européia e o radicalismo nacionalista e étnico que vez ou outra assusta o velho continente.

A Europa do século XVII estava em crise. O acirramento das disputas comerciais e o ritmo desigual do crescimento das economias nacionais arrastavam os impérios europeus a uma política expansionista, ora justificada pelo conflito entre católicos e protestantes, ora reivindicada pelos mecanismos de sucessão monárquica e vassálica, demonstrando que antigas instituições feudais ainda desafiavam a modernização iniciada no Renascimento e impediam a passagem livre da propriedade privada e dos lucros capitalistas.

Um estudo apropriado da Guerra dos Tinta Anos (1618–1648) está inserido nesse contexto de justificativas religiosas e políticas, misturadas às motivações econômicos da última etapa da transição feudo-capitalista e de um novo mapa geopolítico que a Europa irá conhecer, definindo suas fronteiras internas e aquelas que conquistará mundo afora a partir da Revolução Industrial.

Não podemos esquecer também, que o século XVII europeu é o criador da ciência moderna e dos paradigmas que superaram o idealismo renascentista pela racionalidade experimental, pelo método científico e cartesiano. O filosofo René Descartes (1596–1665) é o símbolo desse desmoronamento final das antigas crenças que submetiam o homem à servidão. Seu método experimental contribuirá decisivamente para o maquinismo industrial do século XVIII e autonomia da ciência frente à religião e de sua autoridade sobre o conhecimento humano.

A Guerra dos Trinta Anos, portanto, inicia o século XVII envolvendo, com exceção da Inglaterra e da Rússia, todos os países da Europa numa disputa de natureza religiosa, política e econômica, em torno dos destinos do Sacro Império Romano -Germânico, atual Alemanha, um vasto território formado por principados e condados autônomos, cidades comerciais importantes e um subsolo rico em minérios (aço e carvão) que alimentavam a cobiça de países vizinhos, principalmente do Império austro-húngaro governado pelos católicos Habsburgos, família real que detinha muitas possessões na Alemanha de maioria luterana.

A ascensão de Fernando II (o Imperador da Contra-Reforma) ao trono do Sacro Império Romano-Germânico e sua obstinação em restituir propriedades aos católicos na Germânia, iniciou os primeiros conflitos armados em 1618, entre os membros da Liga Católica – que desejavam o Absolutismo de direito divino – e o exercito da União Evangélica – luterana e antiabsolutista, interessada em manter o antigo Tratado de Augsburgo (1555), que consentia aos príncipes protestantes o direito de praticar o luteranismo em seus territórios.

A política agressiva dos Habsburgos na direção desses principados leva o Império à Guerra, que por sua vez, polarizava a intenção de países católicos (Espanha, Áustria, Hungria e Boêmia) e países protestantes (Holanda, Suécia, Dinamarca, Alemanha e França), para uma guerra exclusivamente em território alemão, o que causou prejuízos materiais e milhares de vida, mergulhando a Alemanha em mais de dois séculos de obscurantismo.

A observação dos mapas das etapas e batalhas principais da Guerra demonstra a trajetória desse duelo terminado em 1648, com a assinatura do chamado Tratado de Westfália, onde a “paz” e a “tolerância” religiosa custam o esfacelamento do território alemão em mais de trezentos principados autônomos, deixando marcas e ódios que voltarão com força no fim do século XIX e nos episódios das grandes guerras mundiais do século XX.

 

 
 
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