No período compreendido entre 1912
a 1916, na área então disputada pelos Estados
de Santa Catarina e Paraná, denominada região
do Contestado, uma luta pela posse de terra levou às
armas, cerca de 20 mil sertanejos. Revoltados com os governos
estaduais, que promoviam a concentração da terra,
nas mãos de poucos e com o governo federal, que concedeu
uma extensa área, já habitada, à empresa
norte-americana responsável pela construção
da estrada de ferro São Paulo - Rio Grande do Sul no
território, os cablocos enfrentaram as forças
militares dos dois Estados e do Exército
Nacionais, encarregados da repressão.
Liderados
inicialmente por um monge peregrino, que um ano mais tarde,
após
sua morte, faria eclodir um movimento messiânico de
crença na sua ressurreição e na instauração
de um reinado de paz, justiça efraternidade, os revoltosos
chegaram a controlar uma área de 28 mil quilômetros
quadrados. Com o propósito de garantir direito de terras,
combateram a entrada do capital estrangeiro, que explorava
a madeira
e vendia a terra a colonos imigrantes.
A "Guerra do Contestado” como ficou conhecido o
episódio,
terminou em massacre e a rendição em massa dos
sertanejos que, embora tivessem se empolgado com as primeiras
vitórias, não puderam resistir à superioridade
bélica das forças repressivas. Além do
fuzil do canhão e da metralhadora, pela primeira vez
na América
Latina era usados a aviação com fins militares.
Terminada
a Guerra, Paraná e Santa Catarina chegam a um acordo
sobre a
Questão dos Limites e a colonização da
região é intensificada. Surgem as primeiras
cidades e uma cultura regional começa a ser delineada.
A economia extrativista da erva-mate e da madeira vai cedendo
lugar aos novos empreendimentos de processamento da matéria-prima.
A modernização atinge também a propriedade
rural. A região passa a
viver uma nova realidade sócio-econômica e cultural.
O desenvolvimento, que acontece a passos largos, preserva,
contudo, o espírito inconformista e empreendedor do
homem do Contestado,
que venceu as adversidades de uma região inóspita
e conflitante na luta por sua sobrevivência e na busca
de seus direitos. A lição está estampada
na cultura e nas marcas que hoje se erguem por todo o território
como marcos e referências turísticas porque resgatam
um dos
mais importantes episódios da história brasileira.
Os fatos históricos e culturais inerentes à
Questão do Contestado, associados à natureza
e aos produtos da região, constituem importante roteiro
turístico regional.