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Educação
 
 

Diante do quadro de desigualdades sociais predominantes em várias partes do mundo, a educação de adultos sobressai como estratégia insubstituível de proteção aos direitos humanos e de combate à pobreza, requisito fundamental para a construção democrática.
Os países da América Latina estão empenhados na tarefa de consolidar uma ordem democrática. Esse objetivo expressa um compromisso entre a sociedade e os governos e obriga a realização de esforços no sentido de repensar os diferentes segmentos da vida nacional nos termos dessa consolidação. É certo que a educação por si só não opera milagres. Todavia, ela destaca-se como mecanismo acelerador de mudanças em direção a um cenário democrático mais eqüitativo.
Para que a educação de adultos cumpra essa tarefa, ela precisa ser repensada com o objetivo de evitar enfoques parciais de sua amplitude e abrangência. Torna-se necessário atentar para as necessidades especiais da educação de adultos no contexto do seu trabalho, de suas representações e percepções da realidade e de suas condições de vida. Algumas ações de suplência na América Latina acreditam ainda que será suficiente repetir para os adultos uma versão comprimida dos conteúdos da escola destinada a crianças e adolescentes.
A educação de adultos deve seguir um caminho que leve em conta as experiências do homem adulto, que valorize e reconheça seus aprendizados tácitos. Não se trata de mudar somente a linguagem ou de dar aos conteúdos uma seqüência diferente. Trata-se, antes, de encontrar novos estilos de ação que associem o trabalho aos problemas sociais e políticos da vida cotidiana dos adultos.
Por outro lado, é preciso estar atento para a predominância do critério economicista na educação, que é uma tendência geral do fenômeno da globalização. A educação de adultos não pode dissociar formação de mão-de-obra de uma visão humanista das relações sociais e econômicas. Não pode dissociar competência de cidadania.
A educação de adultos, em sua vinculação com a democracia, precisa habilitar ao exercício público da participação e da solidariedade. A compreensão da língua nacional, o aprendizado da escrita, da leitura, o domínio dos símbolos e operações matemáticas básicas e o domínio dos códigos sociais são indispensáveis para o posicionamento do indivíduo face à sua realidade. É neste sentido que ela se insere na luta pela construção democrática e constitui uma das chaves para a cidadania do Século XXI.
A consolidação progressiva das estruturas democráticas implica formar a população para participar plenamente da vida política, social e cultural do país. Incorporando a essa participação consciente, segmentos cada vez mais amplos da população, contribui-se para fortalecer a democracia e garante-se o seu aperfeiçoamento.
A América Latina, que está cada vez mais próxima de universalizar o ensino fundamental para crianças, deverá seguir essa tendência, buscando, por um lado, a universalização do ensino médio e por outro, a educação permanente de jovens e adultos, política fundamental para que as aspirações democráticas se concretizem. Depõe a favor desse argumento o fato de que os adultos serão líderes e agentes de um processo educativo mais amplo do que a escola e que, na medida em que eles compreendam a importância e o valor da educação básica, vivenciem a questão educacional como uma necessidade e um problema, exigirão mais e melhores escolas para seus filhos.
Esse é o efeito reversível da educação de jovens e adultos e também a sua dimensão econômica como investimento.

 

 
 
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