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Biologia:
é o estudo dos processos vitais dos organismos |
A disenteria bacteriana ou shigelose é
uma forma de intoxicação alimentar com diarreia
sanguinolenta causada pelas bactérias do género
Shigella.
Shigella
As Shigella são bacilos não-móveis Gram-negativos
anaérobios facultativos, pertencentes à familia
Enterobacteriaceae. Há várias espécies que
podem causar disenteria, como S.dysenteriae (sintomas mais graves),
S.flexneri, S.boydii e S.sonnei (menos grave).
Ao contrário de outros patogénios intestinais, as
Shigella são altamente invasivas.
As Shigella produzem a shiga-toxina que destroem os ribossomas
das células humanas, impedindo a síntese protéica
e matando a célula.
Elas são endocitadas pelas células M da mucosa intestinal,
invadindo a submucosa, sendo depois fagocitadas por macrófagos.
São resistentes à fagocitose, e induzem a apoptose
(morte) do macrófago. Então produzem proteínas
extra-celulares especificas, as invasinas, que lhes permitem acoplar
e invadir os enterócitos, onde se multiplicam até
destruirem as células.
Ocorre principalmente em países pouco desenvolvidos, porque
a sua transmissão é eficazmente combatida pelas
medidas de higiene básicas. Nos países desenvolvidos
é responsável por cerca de 7% dos casos de intoxicação
alimentar. Há nestes países 1 caso por cada 1.000
pessoas por ano. É mais frequente em doentes com SIDA/AIDS.
Só infectam o ser humano, bastando algumas centenas ingeridas
em água ou comida contaminadas, ou por transmissão
direta fecal oral, para provocarem a doença. Também
pode ser transmitida em casos raros por moscas que transportam
as bactérias em pequenos pedaços de fezes nas sua
patas para os alimentos.
Progressão e Sintomas
O perído de incubação é de doze a
cinquenta horas.
A ingestão das bactérias leva à invasão
da mucosa do intestino e sua extensa destruição
(necrose) devido à invasão e à produção
de shiga-toxina. A destruição severa das células
da mucosa (os enterócitos), leva à perda da capacidade
de absorção de água, e à hemorragia
dos vasos locais, com perda adicional de muco acentuada após
destruição das células caliciformes. O resultado
é a diarréia sanguinolenta e mucóide abundante,
denominada disenteria.
Sintomas iniciais são devidos à perda da capacidade
de absorção de água, com diarréia
aquosa. Mais tarde a necrose leva à disenteria, diarréia
com sangue semi-digerido, pús e muco, acompanhada de febre,
dores intestinais e dor ao evacuar as fezes (tenesmo). A extensão
da hemorragia e o risco de peritonite são as principais
complicações, assim como a desidratação
excessiva.
Ao contrário de outras intoxicações alimentares
e da salmonelose (que causa diarréia não sanguinolenta),
a disenteria exige tratamento médico, porque sem ele a
mortalidade é de 10% com algumas estirpes mais virulentas.
• febre;
• dor abdominal;
• Vontade constante de evacuar, podendo evacuar mais de
8 vezes no dia;
• diarréia aquosa (fezes líquidas esverdeadas
com pedaços de muco e, às vezes, sangue);
• náuseas e vômitos;
• dor de cabeça;
• convulsões nas crianças;
• dor muscular (mialgia);
• espasmos dolorosos da musculatura do reto (tenesmo);
Diagnóstico
Cultura de amostras fecais com identificação microscópica
e bioquímica.
Tratamento
É administrado um liquido com eléctrolitos (ou água
com sal e açucar) para evitar a desidratação,
e antibióticos como penicilina, quinolonas e cefalosporinas
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