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| Geografia:
Essa é uma questão que atravessa séculos,
com
diferentes pontos de vista. Um especialista chegou até
a dizer -- com um visível
exagero -- que existem tantas geografias quantos geógrafos.
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Ambiente natural
Com a exceção da costa norte e
dos montes Atlas, o território africano é um planalto
vasto e ondulado, desfigurado por grandes bacias. A África
pode ser dividida em três regiões: o planalto setentrional,
os planaltos central e meridional e as montanhas do leste. Em
geral, a altitude do continente aumenta de noroeste para sudeste.
As faixas litorâneas baixas, com exceção da
costa mediterrânea e da costa da Guiné, são
estreitas e elevam-se bruscamente em direção ao
planalto.
A característica peculiar do planalto setentrional é
o Saara, que se estende por mais de um quarto do território
africano. Os planaltos central e meridional englobam várias
depressões importantes, em especial a bacia do rio Congo
e o deserto de Kalahari. Outros elementos ao sul do planalto são
as montanhas Drakensberg, na costa a sudeste, e o Karoo.
As montanhas orientais, que constituem a parte mais alta do continente,
se prolongam desde o mar Vermelho até o rio Zambeze. A
região tem uma altitude média superior a 1.500 m,
embora no planalto etíope aumente gradualmente até
chegar aos 3.000 m. Ao sul do planalto etíope, erguem-se
vários picos vulcânicos, como o monte Kilimanjaro,
o Quênia e o Elgon. Um elemento topográfico característico
é o Rift Valley. A oeste, fica a cordilheira Ruwenzori.
Existem seis importantes redes de drenagem, pontilhadas por cataratas,
como as cataratas Vitória, ou corredeiras que impedem a
navegação.
São as bacias dos rios Nilo, Congo, Níger, Zambeze,
Orange e a bacia interior do lago Chade, a maior área de
drenagem do continente. Entre os numerosos lagos, destacam-se
os de Turkana, Albert, Tanganica, Malavi e Vitória. Podem-se
distinguir sete zonas climáticas e de vegetação.
No centro do continente e na costa oriental de Madagascar, o clima
e a vegetação são tropicais. O clima da costa
de Guiné assemelha-se ao clima equatorial, mas tem apenas
uma estação de chuvas.
No norte e no sul, o clima próprio de floresta tropical
é substituído por uma zona de clima tropical de
savana que envolve um-quinto da África. Longe do equador,
ao norte e ao sul, a zona do clima de savana transforma-se em
uma zona de estepe seca.
As zonas das extremidades noroeste e sudoeste são de clima
mediterrâneo. Nos planaltos elevados da África meridional,
o clima é temperado. A África tem uma área
de clima árido, ou desértico, maior do que em qualquer
outro continente, com exceção da Austrália.
No Saara ao norte, no Chifre da África ao leste e nos desertos
de Kalahari e da Namíbia ao sudoeste, as precipitações
anuais são inferiores a 250 mm e a vegetação
só aparece nos oásis. No que diz respeito à
fauna, a África apresenta duas zonas diferenciadas. A do
norte e noroeste, que inclui o Saara e carateriza-se por uma fauna
parecida com a da Eurásia (o arruí, o cervo vermelho
africano e dois tipos de íbis são originários
da costa setentrional africana).
A outra zona é a da África ao sul do Saara, com
uma grande variedade de animais, entre os quais estão os
antílopes, as girafas, os elefantes africanos, os leões
e os leopardos.
A África é riquíssima em recursos minerais.
Possui a maioria dos minerais conhecidos, muitos deles em quantidades
notáveis. Tem grandes jazidas de carvão, reservas
de petróleo e de gás natural bem como as maiores
reservas do mundo de ouro, diamantes, cobre, bauxita, manganês,
níquel, rádio, germânio, lítio, titânio
e fosfato.
População
Na parte norte do continente, inclusive no Saara,
predominam os povos caucasóides, principalmente berberes
e árabes. Constituem aproximadamente a quarta parte da
população do continente. Ao sul do Saara, predominam
os povos negróides, cerca de 70% da população
africana. Na África meridional, existe uma concentração
de povos khoisan, san (bosquímanos) e khoikhoi (hotentotes).
Os pigmeus concentram-se na bacia do rio Congo e na Tanzânia.
Agrupados principalmente na África meridional, vivem 5
milhões de brancos de origem européia. Em meados
da década de 1980, a população total era
estimada em 550 milhões, o que equivale a 11% da população
mundial. A densidade demográfica média, cerca de
18 hab/km2, inclui grandes áreas desérticas que
são praticamente desabitadas. Quando calcula-se a densidade
nas terras produtivas, a densidade aumenta para até 139
hab/km2. As áreas mais densamente povoadas são as
costas setentrionais e ocidentais, as bacias dos rios principais
e o planalto oriental.
A taxa de natalidade é de 46%. A de mortalidade caiu para
17%. A população cresce anualmente em 2,9% e a metade
tem 15 anos de idade ou menos. A população continua
sendo de maioria rural e só um-quinto vive em cidades com
mais de 20.000 habitantes. O crescimento urbano aumentou muito
a partir da década de 1950. O norte é a zona mais
urbanizada.
Na África, falam-se mais de mil línguas diferentes.
Além do árabe, as mais faladas são o suaíle
e o hauçá. As principais famílias ou grupos
idiomáticos são o congo-cordofanês, o nilo-saariano,
o camito-semítico ou afro-asiático e o das línguas
khoisan. Ver Línguas africanas.
O cristianismo, a religião mais difundida, e o islamismo
são as principais religiões. Cerca do 15% dos povos
africanos praticam religiões animistas ou locais. Ver Religião.
Grande parte da atividade cultural africana concentra-se na família
e no grupo étnico. Com a intensificação do
nacionalismo, a cultura tradicional africana teve recentemente
um importante ressurgimento. Ver Literatura africana.
Economia
Em sua maioria, os africanos são tradicionalmente
agricultores e pastores. A colonização européia
aumentou a demanda externa de determinados produtos agrícolas
e minerais. Para atendê-la, construíram-se sistemas
de comunicação, introduziram-se cultivos e tecnologia
europeus e desenvolveu-se um moderno sistema de economia de intercâmbio
comercial, que continua coexistindo com a economia de subsistência.
Embora cerca de 60% de toda a terra cultivada seja ocupada pela
agricultura de subsistência, a África produz e exporta
mais da metade da produção mundial de cacau, mandioca,
cravo e pita.
As fazendas e plantações, propriedades de europeus
e situadas na África oriental e meridional, produzem cítricos,
tabaco e outros produtos alimentares destinados à exportação.
Fora das áreas de floresta, pratica-se a agropecuária
extensiva, mas raramente com finalidade comercial.
Embora um quarto do território africano seja coberto por
florestas, grande parte da madeira só tem valor como combustível.
Gabão é o maior produtor de okoumé, um derivado
da madeira usado na elaboração de compensado (madeira
em chapa). Costa do Marfim, Libéria, Gana e Nigéria
são os maiores exportadores de madeira de lei. A pesca
interior concentra-se nos lagos do Rift Valley.
A pesca marítima, que é muito difundida e voltada
para o consumo local, adquire importância comercial no Marrocos,
na Namíbia e na África do Sul.
A mineração representa a maior receita dentre os
produtos exportados. As indústrias de extração
mineral são o setor mais desenvolvido em boa parte da economia
africana. A África responde por cerca de um-terço
da produção mundial de urânio, por 20% das
reservas mundiais de cobre, 90% do cobalto e três-quartos
do ouro mundial. Além disso, Serra Leoa tem a maior reserva
conhecida de titânio. As minas da África do Sul e
do Zaire produzem praticamente a totalidade das gemas e dos diamantes
industriais do mundo. O grosso da riqueza mineral é explorado
por grandes empresas multinacionais.
A nação mais industrializada é a África
do Sul, embora já tenham sido implantados notáveis
centros industriais no Zimbábue, no Egito e na Argélia.
Em boa parte da África, a manufatura limita-se à
fabricação ou à montagem de bens de consumo.
História
Há aproximadamente 5 milhões de
anos, um tipo de hominídeo habitava o sul e o leste da
África. Há cerca de 1,5 milhão de anos, esse
hominídeo evoluiu para formas mais avançadas: o
Homo habilis e o Homo erectus. O primeiro homem africano, o Homo
sapiens, data de mais de 200.000 anos (ver Hominização).
A população negróide, que dominava a domesticação
de animais e a agricultura, expulsou os grupos bosquímanos
para as zonas mais inóspitas. No primeiro milênio
a.C., o povo banto, um dos grupos dominantes, começou uma
migração que durou 2.000 anos e povoou a maior parte
da África central e meridional.
A primeira grande civilização africana começou
no vale do Nilo por volta de 5000 a.C. O reino do Egito desenvolveu-se
e influiu nas sociedades mediterrâneas e africanas por milhares
de anos.
Entre o fim do século III a.C. e início do século
I, Roma conquistou o Egito, Cartago e outras áreas do norte
da África. O império dividiu-se em duas partes no
século IV. Todos os territórios a oeste da Líbia
continuaram pertencendo ao Império do Ocidente, governado
por Roma, enquanto os territórios a leste, inclusive o
Egito, passaram a fazer parte do Império Bizantino, sob
o comando de Constantinopla. No século V, os vândalos
conquistaram grande parte do norte da África e governaram
até o século VI, quando foram derrotados pelas forças
bizantinas e a área foi absorvida pelo Império do
Oriente. Os exércitos islâmicos invadiram a África
em 623, depois da morte de Maomé, e rapidamente venceram
a resistência bizantina no Egito.
A partir de suas bases no Egito, os árabes invadiram os
reinos berberes do ocidente. Enquanto os berberes do litoral converteram-se
ao islamismo, muitos outros retiraram-se para os montes Atlas
e o interior do Saara.
Os turcos otomanos conquistaram o Egito em 1517 e durante os 50
anos seguintes estabeleceram um controle aparente sobre a costa
norte-africana.
O poder real, porém, permaneceu nas mãos dos mamelucos
que governaram o Egito até serem derrotados por Napoleão
em 1798.
Na África ocidental, surgiu uma série de reinos
de população negra cuja base econômica estava
no controle das rotas comerciais transarianas. Ver Reino de Gana,
Império de Mali e Songhai.
A leste de Songhai, entre o rio Níger e o lago Chad, surgiram
as cidades-estados de Hauçá e o império de
Kanem-Bornu. Ao que parece, o islamismo foi introduzido nos reinos
hauçá no século XIV, a partir de Kanem-Bornu.
Os primeiros documentos da história da África oriental,
que aparecem no périplo do mar de Eritréia (c. 100),
descrevem a vida comercial da região e seus laços
com o mundo fora da África. Imigrantes indonésios
chegaram a Madagascar durante o primeiro milênio com novos
produtos alimentares, sobretudo a banana, que foi logo introduzida
no continente.
Povos de fala banto, que se estabeleceram no interior, formaram
reinos tribais e absorveram os povos bosquímanos e nilóticos
que ocupavam as áreas interlacustres, mais interiores.
Os colonos árabes ocuparam a costa e estabeleceram cidades
comerciais. No século XIII, foram criadas algumas notáveis
cidades-estados, voltadas para o mar, embora o seu impacto político
sobre os povos do interior tenha sido mínimo até
o século XIX.
O primeiro esforço contínuo dos europeus com relação
à África só veio a partir de dom Henrique
o Navegador, príncipe de Portugal. Depois de 1434, foram
organizadas numerosas expedições e, em 1497-1498,
Vasco da Gama contornou o cabo da Boa Esperança e chegou
à Índia.
O comércio português atraiu os rivais comerciais
europeus, que no século XVI criaram suas próprias
feitorias e enclaves para captar o comércio existente.
Com o aumento do comércio de escravos para as Américas,
as guerras pelo controle do comércio africano tornaram-se
mais intensas. Durante os quatro séculos de tráfico
de escravos, um número incalculável de africanos
foi vítima desse comércio de vidas humanas (ver
Escravidão). O primeiro reino importante que se beneficiou
com o comércio de escravos foi Benin. No fim do século
XVII, foi substituído pelos reinos de Daomé e Oio.
Em meados do século XVIII, o povo ashanti tornou-se o maior
poder da África ocidental.
O desejo britânico de acabar com o tráfico de escravos
baseava-se nas perspectivas de reorganizar o comércio africano
com vistas a outras exportações, aumentar a atividade
missionária e impor a jurisdição do Governo
britânico sobre propriedades que tinham pertencido a comerciantes
britânicos. Essas ações levaram-no a assumir
a soberania de certos territórios africanos.
No fim do século XVIII, o interesse científico e
a busca de novos mercados começou a estimular uma era de
explorações, em que se destacam figuras como James
Bruce, Mungo Park, Heinrich Barth, David Livingstone, John Haning
Speke, James Augustus Grant e Samuel White Baker. Aos exploradores
seguiram, ou em alguns casos precederam, os missionários
cristãos e mais tarde os comerciantes europeus.
Na Conferência de Berlim (1884-1885), as potências
definiram as suas zonas de influência e a África
ficou praticamente dividida entre elas. Ver Imperialismo.
A II Guerra Mundial enfraqueceu psicológica e fisicamente
as potências coloniais.
A gangorra do poder internacional pendeu para os Estados Unidos
e a União Soviética, dois estados anticolonialistas.
Na década de 50, o exemplo das novas nações
independentes de outros continentes, as atividades dos movimentos
revolucionários e a efetividade de líderes carismáticos
agilizaram o processo de independência. No fim da década
de 70, quase toda a África havia se tornado independente.
Os jovens Estados africanos enfrentam vários problemas
básicos, como o desenvolvimento econômico, o neocolonialismo
e a incapacidade de se fazerem ouvir nos assuntos internacionais.
A maioria dos Estados africanos é considerada parte do
Terceiro Mundo.
África
As forças tectônicas que separaram a África
da América do Sul há 150 milhões de anos
criaram um continente cuja principal característica topográfica
é um vasto e ondulado planalto. Os cientistas encontraram
na África microorganismos fósseis de 3.200 milhões
de anos, que atestam uma das primeiras formas de vida existentes
na Terra.
Africanas, Línguas, línguas indígenas
do continente africano. Na África são faladas mais
de mil línguas diferentes. Com exceção do
árabe, que excede o continente, as línguas mais
faladas são o suaili e o haussa que contam, cada uma, com
mais de dez milhões de falantes. Poucas possuem documentos
literários escritos, embora a maioria apresente ampla tradição
de testemunhos orais.
Classificação das línguas
Classificam-se em quatro grandes famílias: camito-semítica
ou afro-asiática, nilo-saariana, khoi-san e nigero-kordofana.
Chama-se família de línguas o grupo de idiomas procedentes
de um tronco comum. As famílias se subdividem em ramos
constituídos por línguas próximas e inter-relacionadas.
Família camito-semítica
Constitui o grupo mais importante. O árabe, ramo mais importante,
é a língua mais falada no norte do continente e
República do Sudão. O aramaico, falado por cinco
milhões de pessoas, é o idioma oficial da Etiópia.
Entre as línguas semíticas faladas no norte da África,
estão o tigrinia e o tigré da Eritréia.
O ramo bérbere é falado por quase toda a população
do Marrocos, Argélia e Tunísia, além dos
grupos disseminados pelo norte da África. O ramo cuchítico
está localizado na Etiópia, Somália, costas
do mar Vermelho e inclui o orominga e o somali. O egípcio
antigo, hoje sem descendência entre as línguas vivas,
era desta mesma família (ver Língua copta). O ramo
tchádico se estende ao norte da Nigéria e a mais
importante é a língua haussa.
Família nilo-saariana
É falada ao longo de um território que se estende
pelas margens do rio Níger até a Etiópia,
através do vale do alto Nilo e em algumas partes da Uganda
e do Quênia. O membro mais ocidental desta família
é o songhai, falado em grande parte do Alto Níger,
Mali e Níger. O ramo saariano abrange as línguas
do norte da Nigéria, da República do Chade e de
alguns assentamentos da Líbia. O ramo nilo-chadiano conta
com um milhão de falantes no Sudão, norte do Chade,
parte de Uganda e do Quênia, e no limite noroeste do Congo.
As línguas núbias se localizam na fronteira do sul
do Egito, ao longo do alto Nilo.
Família khoi-san
É formada por línguas que contam com menor número
de falantes, não mais do que cem mil em todo o continente.
São os idiomas falados pelos povos do sul da África,
os san e os kikuius. O mais falado é o nama. A noroeste
da Tanzânia existem duas línguas da mesma família,
a sandawe e a hadza.
Família nígero-kordofana
Inclui duas subfamílias: a kordofana e a nígero-congolesa.
A primeira abrange cerca de trinta línguas e se localiza
em uma área pequena ao sul do Sudão, nas montanhas
de Nuba. A nígero-congolesa se distribui por quase todo
o continente, ao sul do deserto do Saara.
Em decorrência das migrações, a subfamília
nígero-congolesa fragmentou-se em várias ramos ao
longo de mais de 5.000 anos. As línguas bantos pertencem
a um ramo desta subfamília e as mais conhecidas são
o zulu da África do Sul, o suaili e o sukuma da Tanzânia
e o ruandês de Luanda. Atualmente, começa a ser conhecida
a produção literária dos escritores das línguas
banto.
Outras famílias lingüísticas
As famílias indo-européia e malaio-polinésia
estão também presentes nos idiomas africanos. À
família indo-européia pertencem o africâner
e inglês, idiomas da República da África do
Sul e do Zimbábue, o francês, falado nas antigas
colônias africanas francesas, e o espanhol da Guiné
e províncias espanholas de Ceuta e Melilla. O malgaxe,
idioma de Madagascar, pertence à família malaio-polinésia.
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