A Guerra dos Mascates foi um conflito regional
entre Olinda e Recife que teve início em 1710. O conflito
na verdade foi somente a finalização de uma
rivalidade que se estendera desde 1630, quando Olinda era
ainda a capital de Pernambuco e Recife iniciava seu período
de destaque. Olinda era uma cidade próspera dominada
por senhores de engenho e proprietários de terras
enquanto Recife era apenas um povoado que sobrevivia do comércio
anexado à capital. Seu comércio era quase que
totalmente dominado por portugueses, mais conhecidos como
mascates.
Ainda em 1630, chegaram vários holandeses ao Brasil
atraídos pela cana-de-açúcar da região
que era utilizada em Olinda como matéria-prima na fabricação
do açúcar. Ao adentrar no território
pernambucano, os holandeses preferiram se alojar no pequeno
povoado de Recife, pois ali teriam maior liberdade e facilidade
para adquirir a cana-de-açúcar almejada.
Com a chegada dos holandeses, Recife se desenvolveu e se tornou
um importante centro comercial, pois juntamente com o comércio
mascate, essa acumulava grandes lucros e ainda emprestavam
dinheiro a juros. Em 1654, os holandeses
foram expulsos do território nordestino por explorar
suas riquezas, a economia açucareira dos proprietários
de terras de Olinda passou a enfrentar dificuldades econômicas.
Neste período difícil para Olinda, Recife vivia
o contrário, manteve o padrão de economia do
povoado, mesmo sem a interferência dos holandeses, e
ganhou o título de principal centro econômico
de Pernambuco.
Após seu expressivo crescimento e desenvolvimento,
iniciaram as solicitações à Coroa Portuguesa
por sua emancipação política, já
que até então era subordinada à Olinda.
A Coroa atendeu a solicitação dos recifenses
e elevou o povoado à condição de vila
em 1709, ano que também construíram a Câmara
Municipal de Recife e o Pelourinho da cidade.
A elite da cidade de Olinda, não satisfeita com as
conquistas de Recife e com a atitude da Coroa Portuguesa em
emancipar a cidade, tentou influenciar as autoridades de Pernambuco
para dar o grito de independência e se distanciar de
Portugal. Não conseguindo êxito na tal independência
decidiram invadir Recife iniciando a Guerra dos Mascates.
Após a invasão, demoliram o Pelourinho, destruíram
a Carta Régia que concedia os privilégios à
cidade, libertaram os presos, perseguiram os mascates e destituíram
o governador Sebastião de Castro Caldas Barbosa que
se refugiou na Bahia.
Em 1711, os mascates atacaram Olinda colocando fogo nas casas
e em seus engenhos, fazendo com que a cidade entrasse em maior
decadência. A partir deste ano Recife se destacou em
relação à Olinda tornado-se capital de
Pernambuco. A guerra somente teve
fim quando um novo governador (José Félix) foi
nomeado e este aceitou o apoio das tropas da Bahia para que
interferissem no conflito.
Após a vitória dos mascates comerciantes, percebem
o predomínio do comércio em relação
à produção colonial que já ocorria,
já que os senhores de Olinda pegavam dinheiro emprestado
a juros com os mascates para conseguirem manter seu sistema
colonial. Tais fatos também
foram comparados quando Recife se sobressaiu.